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21/11/2007 | Isto É Dinheiro - Nacional

O Espaço Cativo da Embratel

A história da Embratel pode ser dividida em três partes. Entre 1965 e 1998, estatal, ela reinou soberana, protegida pelo manto do monopólio. A segunda fase, que durou até 2004, foi marcada pela abertura do mercado. A falência de sua controladora, a americana MCI, chegou a colocar em dúvida o futuro da Embratel, que mais parecia uma nau sem rumo com o mastro vergado por uma dívida de R$ 9 bilhões. Três anos depois, a companhia exibe um fôlego invejável. Recuperou a liderança na telefonia de longa distância (DDD), perdida para a Telemar, reforçou a posição nas ligações internacionais (DDI) e começou a prestar serviço de telefonia fixa para assinantes residenciais. Um bom exemplo do momento vivido pela Embratel é o lançamento do satélite Star One C1, previsto para acontecer até domingo 17. O equipamento tem quase o dobro da capacidade de cobertura do antecessor. A entrada em órbita depende apenas de acertos técnicos e condições meteorológicas perfeitas para a partida do foguete Ariane da base de Kourou, na Guiana Francesa. O satélite custou R$ 1 bilhão e é um projeto desenvolvido em sociedade com a americana General Electric, dona de uma fatia de 20% da Star One. O restante das ações pertence à Embratel. O C1 é vital na estratégia de fortalecer sua musculatura em transmissão de dados (especialmente para empresas e órgãos governamentais) e na prestação de serviços de internet. Filões responsáveis por 27% da receita de R$ 8,2 bilhões obtida em 2006.

Apesar da força dos chamados clientes corporativos, o futuro da Embratel passa, em muito, pela telefonia fixa. Aquele bom e velho serviço de voz que movimenta negócios e serve para matar a saudade dos parentes e dos amigos. O Net Phone, em parceria com a operadora de TV a cabo NET, e o Livre (novo nome da Vésper) vêm turbinando os ganhos da Embratel. Apenas no período julho-setembro eles renderam R$ 332,7 milhões aos cofres da companhia. Trata-se de um incremento de 37,1% em relação a igual período de 2006. “Somos a única empresa que está crescendo nesse segmento”, celebra Carlos Henrique Moreira, presidente da Embratel. A idéia é usar a rede existente da NET a infra-estrutura própria de anéis de fibra óptica (que cobrem uma distância de 1,06 milhão de quilômetros) para fisgar novos clientes. Hoje, o Livre conta com três milhões de usuários e o NET Phone possui 500 mil. A expansão, no entanto, não será atabalhoada tendo como foco uma disputa aberta com a Oi (antiga Telemar), a Telefonica ou a Brasil Telecom. “Só nos interessam os usuários que residem nas praças onde já dispomos de estrutura para a prestação do serviço”, justifica. No cargo desde agosto de 2004, ele é um dos responsáveis pela guinada da operadora. Sucesso que, de acordo com especialistas, foi facilitado pela sinergia existente entre essas empresas, controladas pela Telmex do bilionário mexicano Carlos Slim. “Para levar vantagem no mercado de telecomunicações é preciso saber empacotar a maior gama de serviços em um único produto”, opina Valder Nogueira, analista-chefe de telecom da corretora Santander Banespa. E é aí que reside o mérito da equipe comandada por Moreira.

Mas isso não significa dizer, contudo, que a operadora pretende abandonar seus nichos, por assim dizer, tradicionais. Muito pelo contrário. O satélite C1 e o C2, cujo lançamento acontece no primeiro trimestre de 2008, terão como missão fortalecer a capacidade de transmissão de dados. Para aumentar a gama de serviços ofertados aos atuais usuários e ampliar a carteira de clientes, a Embratel colocou em ação um plano de investimentos que prevê desembolsos de R$ 4,5 bilhões entre 2005 e 2007. Outro R$ 1,5 bilhão será desembolsado em 2008. Para completar a rede de cabos de fibra óptica, a Embratel está aplicando R$ 35 milhões na extensão da malha para a região amazônica. São 935 quilômetros ligando Amazonas, Rondônia, Acre e Amapá. O sistema foi criado para atender à crescente demanda das indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus (AM).

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