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19/11/2007 | O Globo - Elis Monteiro

Tem Satélite Novo No Espaço

O Star One C1 foi criado para dar mais alternativas de acesso à internet em banda larga

Depois de dois adiamentos, enfim partiu para o espaço, quarta-feira passada, o mais novo satélite brasileiro voltado para a melhoria nos serviços de telecomunicações, principalmente os de acesso à internet em banda larga. O Star One C1, da Star One, braço de satélites da Embratel (que detém 80% da empresa; os outros 20% são da GE), foi lançado da base da Arianespace em Kourou, na Guiana Francesa, e vai substituir o Brasilsat B2. Além de mais novo, o C1 traz, de quebra, maiores potência e cobertura. Se o Brasilsat B2 tinha alcance limitado à América do Sul, o C1 amplia a cobertura para a América Central e a região da Flórida, nos Estados Unidos. Hoje, a Embratel já tem clientes na Argentina e na Bolívia e, no Brasil, oferece serviços de banda larga via satélite, apontado como uma das possíveis saídas para a conexão à internet de comunidades localizadas em áreas remotas do Brasil. Também na semana passada, a Star One anunciou que não vai mais vender serviços de conexão diretamente a clientes finais: a venda vai ser feita através de provedores .

— É claro que a banda larga via satélite dificilmente vai ter o preço da banda larga via cabo, até por conta da escala, mas ela traz vantagens como o fato de você ter acesso em qualquer lugar e a instalação não exigir a instalação de um cabo que vá até a sua casa — diz Gustavo Silbert, presidente da Star One, lembrando ainda que um dos entraves para a massificação dos serviços de acesso à internet via satélite é a falta de desenvolvimento de um modem nacional (são todos estrangeiros), o que baratearia os custos da tecnologia.

Quanto à potência, a do C1 é quase o dobro do antecessor Brasilsat B2, 28 transponders (receptores e transmissores de sinais) em Banda C, 16 em banda Ku e um em Banda X. O que isso significa para os meros mortais? A Banda C garante a oferta de sinais de voz, TV, rádio e de dados (inclui-se aqui a internet). Já a Banda Ku permite serviços de transmissão de vídeo diretamente aos usuários e acesso à internet em localidades remotas do Brasil.

— O satélite em Banda C é um elo de telefonia (nos lugares) onde você não recebe fibra. Serve como um link do backbone da Embratel — diz Gustavo. — No mundo, o uso do satélite para internet é pouco explorado. Na verdade, a maior parte do uso do satélite é para a transmissão de sinais de TV e de vídeo.

Desde o lançamento de quarta-feira passada, por meio de um foguete da Arianespace, o Star One C1 já está a 36 mil quilômetros da superfície da Terra, mas seu controle será feito aqui mesmo, no Estado do Rio, especificamente a partir da Estação de Guaratiba, único teleporto de satélites do país. Além disso, a equipe que participou do projeto é 100% brasileira. São nada menos que 78 profissionais envolvidos, sendo cinco astrônomos, 56 engenheiros, três analistas de sistemas e 14 técnicos em telecomunicações e eletrônica.

— Na verdade, são quase 250 pessoas envolvidas em todas as fases do projeto, durante quatro anos. E todos são brasileiros. Além disso, o centro de controle foi o primeiro do mundo a ter certificação ISO 9001 — diz Gustavo.

O Star One C1 vai receber, em fevereiro do ano que vem, mais um irmãozinho: o Star One C2, substituto do Brasilsat B1.

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