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09/11/2007 | Valor Econômico

Com novo satélite, Embratel disputa cliente de internet

Às 20h04 de hoje, a partir de uma base na Guiana Francesa, a Embratel lançará um novo satélite e, junto com ele, a possibilidade de entrar para valer na competição pelo crescente mercado de banda larga.

O Star One C1 entrará em órbita em substituição ao Brasilsat B2, que está a poucos anos do fim de sua vida útil. Mais moderno, o novo satélite permitirá a oferta de banda larga, vídeos e telefonia - principalmente em áreas onde não existe cobertura das redes convencionais das operadoras de telecomunicações.

Com isso, a Embratel poderá atuar como provedora de internet rápida, um mercado onde tem oferta limitada de serviços. Os satélites que ela tem em órbita atualmente não fazem transmissões diretas para clientes finais. Quem hoje usa serviços de banda larga da companhia na verdade está recebendo o sinal de um satélite da SES Americon, com quem a Embratel tem parceria.

Os satélites de que a operadora dispõem fazem transmissões de sinais de TV, dados e telefonia de alta capacidade - por exemplo, de uma emissora de televisão para outra -, mas não chegam ao usuário final. Os novos modelos poderão enviar o sinal para equipamentos de capacidade menor.

"Agora vamos poder oferecer novos serviços. O grande objetivo é disseminar a banda larga no país", afirma Gustavo Silbert, presidente da Star One, subsidiária da Embratel para a área de satélites. A companhia brasileira detém 80% do capital dessa unidade, enquanto a GE possui os outros 20%. O executivo não quis revelar quantos assinantes de banda larga espera alcançar, nem quanto cobrará pelas conexões.

A Embratel - controlada pela Telmex, do empresário mexicano Carlos Slim - poderá disputar diretamente com Telefônica, Oi e Brasil Telecom o mercado de banda larga. No cenário atual, além de sua oferta via satélite, a operadora só compete nesse segmento por meio da participação acionária que tem na Net, empresa de TV paga.

Desde 2005, foram investidos cerca de US$ 500 milhões no projeto, que prevê o lançamento de dois satélites. Em fevereiro será colocado em órbita o C2.

O C2 terá capacidade para cobrir não apenas o Brasil, mas também os países do Mercosul. O próximo será direcionado para o mercado brasileiro e para a América Central. Silbert não revelou se ele será utilizado para oferecer banda larga aos clientes da Telmex no México.

A família C entrará no lugar dos Brasilsat B1 e B2, lançados respectivamente em 1994 e 1995. Os equipamentos manterão uma faixa exclusiva de uso militar - um tema que despertou polêmica quando a Telmex adquiriu o controle da Embratel, há pouco mais de três anos.

Como não têm mais combustível suficiente para garantir estabilidade nas transmissões que precisam dessa característica, o B1 e o B2 deixarão de ser satélites geoestacionários e irão para o que se chama de órbita inclinada. Ali, terão mais alguns anos de "sobrevida" e servirão para aplicações como os serviços de trunking, uma espécie de comunicação via rádio. O C2 e o C1 têm vida útil estimada de 15 anos, diz Silbert.

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