Clipping

06/11/2007 | O Globo - Nelson Vasconcelos

Contagem regressiva

A terra treme, e lá de longe a gente vê as chamas e fumaça. Logo um forte rugido toma conta da noite, e o foguete de 50,5 metros de altura começa sua viagem. Só na arrancada, vai queimando mais de duas toneladas de combustível por segundo, derretendo o concreto próximo à plataforma.

Sobe verticalmente durante uns seis segundos e vai tomando o rumo leste. Para quem está espiando — a alguns quilômetros de distância — parece cena de filme.

Mas não é. A situação é real, e vai se repetir na próxima sexta-feira em Kourou, na Guiana Francesa.

Localizado praticamente na Linha do Equador, o Centro Espacial Guianês é a base da Arianespace para lançamentos de satélites. Em 27 anos de existência, foram 250. Outros 44 estão na fila. Alta tecnologia num nicho de mercado bem interessante: a empresa — que lançou cerca de dois terços de todos os satélites comerciais que hoje estão em atividade — faturou US$ 1,4 bilhão em 2006. Bastante razoável.

Desta vez, o gigante de 780 toneladas da Arianespace vai mandar para o espaço (no bom sentido) dois satélites. Um deles para o Ministério da Defesa britânico; o outro, para a Star One, operadora de satélites brasileira, a sexta maior em todo o mundo e subsidiária da Embratel.

Calcula-se que a missão principal esteja encerrada em bem menos de uma hora após o lançamento em Kourou, tão logo o foguete Ariane se separe dos satélites Skynet 5B, do governo britânico, e do Star One C1. Velocidade: oito mil metros por segundo.


Altitude: 2.300 quilômetros.

Pelas suas características, o Star One C1 vai ficar “estacionado” a 36 mil quilômetros de altitude.

Estima-se em 15 anos a sua vida útil, mas pode ser que fique em operação bem mais que isso. Costuma acontecer, especialmente se não tiver que ficar sambando entre órbitas distintas.

Quando começar a operar, o Star One C1 fornecerá serviços de telecomunicações, multimídia e internet em banda larga, cobrindo a América do Sul.

As Forças Armadas brasileiras também vão usar o C1. Está previsto para 2008 o lançamento do outro satélite da Star One, também para as mesmas aplicações.

Construídos pela Thales Alenia Space, ambos estão substituindo dois satélites Brasilsat, já em fim de carreira. O interessante é que, ainda este ano, a Arianespace vai enviar para o espaço uma espécie de delivery de milhões de euros.

Será a estréia do ATV, um veículo de carga, responsável pelo reabastecimento de combustível, oxigênio e, mesmo, mantimentos de uma estação espacial internacional. Alta tecnologia, daquelas que a gente fica com vontade de chegar perto, a ver se funciona mesmo. A propósito: quem estiver interessado em assistir ao lançamento do Star One C1 pode acompanhá-lo, ao vivo, pelo site www.arianespace.com, a partir das 19h44m do próximo dia 9.


Na Pressão

O Seprorj, que representa cerca de 11 mil empresas no Estado do Rio, vai pressionar a câmara dos vereadores do Rio. Quer tirar os nobres edis (!!) da inoperância tradicional e tentar que o projeto de lei 1.250 seja aprovado ainda este ano. Não deverá ser uma tarefa fácil.

Proposto pelo próprio Executivo, o projeto prevê redução, para 2%, do ISS das empresas de tecnologia da informação.

Pelo menos 95% das empresas representadas pelo Seprorj são médias ou pequenas — e apanham muito com os impostos altos.

O Seprorj está propondo que os empresários bombardeiem os vereadores via email, enviando como anexo o projeto de emendas do Seprorj, que foi estimulado pelo próprio prefeito Cesar Maia, para cobrar uma definição dos ilustríssimos parlamentares.


Vamos torcer.
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