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15/01/2010 | Teletime

Setor superou com tranqüilidade a crise econômica mundial

Satélite geoestacionário brasileiro, novas posições orbitais e banda Ka entram na pauta.

O setor de satélites brasileiro superou com tranqüilidade a crise econômica mundial. Dois serviços foram os principais responsáveis por manter a demanda aquecida em 2009: backhaul para redes celulares, que cada vez mais avançam para o interior do País, onde há pouca infraestrutura de fibra; e o surgimento de novas operações de DTH criadas por Oi e Embratel. As estimativas são de que a receita das operadoras de satélite no Brasil tenha crescido na ordem de 7% em 2009. E poderia ter sido mais, não fosse a escassez de capacidade satelital na região. Apesar do desequilíbrio entre oferta e demanda, o preço do MHz na América Latina, em média, continua baixo. "Existe uma recuperação dos preços em andamento, mas é lenta por se tratar de um negócio de longo prazo", explica o presidente da Abrasat, Manoel Almeida. O ano de 2009 foi bom não apenas para as operadoras, mas também para as empresas que montam soluções via satélite sob encomenda para o mercado corporativo. É o caso da Hughes, que estima ter um crescimento de 41% em seu faturamento em 2009. "Para redes corporativas ponto- multiponto não há nada melhor que satélite. O mercado vai continuar crescendo", disse o presidente da Hughes no Brasil, Délio Morais, durante o último Congresso Latinoamericano de Satélites, promovido pela Converge Comunicações, em setembro de 2009. Um fato importante para o mercado foi o lançamento com sucesso do satélite Amazonas 2, da Hispamar, que entrou em órbita já com 40% da sua capacidade comercializada. No fim de novembro foi lançado o IS-14, da Intelsat, que, para o Brasil, terá cobertura apenas em banda C. Ciente da demanda crescente por capacidade satelital no País, a Anatel trabalha para publicar no primeiro semestre de 2010 um edital de licitação de direito de exploração de novas posições orbitais brasileiras. Uma diferença em relação a licitações anteriores deverá ser a exigência de um número mínimo de transponders dedicados ao mercado brasileiro. Isso seria combinado à obrigatoriedade de cobertura em 1009o do território nacional, o que já foi solicitado nas últimas licitações. Há oito posições orbitais brasileiras registradas na União Internacional de Telecomunicações (UIT) que poderão fazer parte da licitação: 92, 87,84,80, 77.5,48,37 e 10 graus Oeste. A Anatel esperava definir até o fim de 2009 quantas posições seriam oferecidas, de acordo com a demanda do mercado. As três empresas que mais se interessaram nas últimas licitações foram Star One, Hispamar e Loral Skynet (atual Telesat).

SGB e Ka

Em 2009 o governo federal retomou o projeto de construção de um satélite geoestacionário brasileiro (SGB). A idéia é antiga, mas permaneceu estagnada nos últimos anos. Setores do governo entendem como prioridade o País ter um satélite próprio, que seria usado para diversos fins, desde telecomunicações até controle de tráfego aéreo, coleta de dados meteorológicos e transmissão de informações militares. Há uma demanda especialmente por parte de setores do Exército, que argumentam haver pouca capacidade em banda X disponível hoje. A proposta, porém, é que o satélite seja construído por meio de uma parceria público-privada (PPP). Estudos sobre a viabilidade econômica do projeto encomendados pela Agência Espacial Brasileira (AEB) devem ser concluídos em meados de 2010. Uma das posições orbitais consideradas para servir ao SGB é a de 48°W. O projeto é polêmico e sofre críticas de agentes da iniciativa privada do setor de satélites, que entendem que seria mais importante para o País investir no desenvolvimento da base de Alcântara, no Maranhão, para que ela se torne uma opção competitiva à base da Ariane Space na Guiana Francesa, reduzindo o custo de lançamento de satélites.

Outro assunto que entrou em pauta no setor é a chegada da banda Ka no Brasil. Por muito tempo considerada inviável em regiões tropicais onde chove muito, essa tecnologia começa agora a ser encarada como uma possibilidade real para o mercado brasileiro. O assunto veio à tona após o anúncio de que a 03b, empresa que tem o Google e SES entre seus acionistas, lançará em 2011 uma constelação de oito satélites em órbita média com transponders em banda Ka para cobrir principalmente países emergentes no hemisfério sul. A empresa estuda montar no Brasil o teleporto que atenderá a toda a América Latina. Técnicas avançadas de modulação estão tornando a banda Ka mais resistente a problemas gerados pela chuva. O uso de spot beams, que concentram mais a potência, também contribui para enfrentar as chuvas. Vale lembrar que anos atrás havia a mesma desconfiança em relação à banda Ku, mas esta conseguiu superar o obstáculo e é hoje um sucesso no Brasil. Além da 03b, a Hispamar avalia a possibilidade de incluir transponders em banda Ka no Amazonas 3, cujo lançamento está previsto para 2013. Na banda Ka, já é mais comum vender serviço em vez de capacidade pura e simples. "Nas bandas C e Ku, as operadoras geralmente vendem MHz. Em Ka, vende-se a aplicação, o serviço de acesso à Internet", explica o vice-presidente de desenvolvimento de mercado para América Latina da SESWorldSkies, Jurandir Pitsch.

Ano novo

Para 2010, o mercado espera continuar crescendo, ajudado pelo bom desempenho da economia brasileira e pela chegada de mais capacidade satelital, com a efetiva entrada em operação do Amazonas 2 e do IS-14. Há ainda o lançamento do NSS14, da SES WorldSkies, previsto para o fim de 2010. É projetado um aumento da venda de serviços. "Nossa receita anual com serviços hoje gira em torno de R$ 20 milhões. Três anos atrás não alcançava nem R$ 1 milhão", relata Sérgio Chaves, diretor comercial da Hispamar.


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