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16/07/2010 | Valor Econômico

TV a cabo tem boas oportunidades para expansão

Quanto mais empacotados, mais os serviços podem significar receitas adicionais para as operadoras de cabo, que ingressam no seleto clube dos que colocam no mercado ofertas que juntam TV por assinatura, telefonia e acesso à internet. Assim, também seguem a trilha da diversificação as empresas autorizadas a prover Serviços de Comunicação Multimídia (SCM) como Net e Embratel, a TVA e a Oi TV, que inicialmente arrematou licença para operar em Minas Gerais.

As operadoras de SCM terão, muito provavelmente, chance de desempenhar um papel na disseminação da banda larga no país, na medida em que suas redes chegam diretamente à casa do usuário, seja via cabo ou por satélite, sobretudo.

Nos últimos anos, a Net Serviços cresceu pela incorporação de outras empresas, embora sua rede bidirecional sirva pouco mais de uma dezena de grandes cidades. Em São Paulo, a empresa foi a primeira operadora a aderir ao Programa de Banda Larga Popular, do governo estadual, em dezembro de 2009, diz Rodrigo Marques, vice-presidente de estratégia e gestão operacional. "Nossa oferta traz velocidade de meio mega (512 Kbps) com mensalidade de R$ 29,80. Quem optar por adquirir o produto na versão combinada também ganha mais vantagens", diz. No pacote Net Fone.com, acrescenta, por mais R$ 10, além da banda larga popular que passa a ser de 1 Mbps, o cliente ainda tem os canais abertos e obrigatórios de TV via cabo e telefone fixo.

"Essa oferta democratiza o acesso à internet e representa uma grande oportunidade para atrairmos novos clientes, principalmente aqueles que estão adquirindo o primeiro computador", diz. As ofertas são válidas para pessoa física e o produto está disponível nos 48 municípios do Estado de São Paulo onde a Net oferece internet banda larga, utilizando a mesma tecnologia dos produtos de maior velocidade. Por ora, a banda larga popular Net limita-se a São Paulo, porque foi o único governo estadual a conceder o incentivo fiscal.

Uma limitação, sem dúvida, mas a operadora de cabo está animada com a receptividade da oferta. "Em seis meses, a Net teve uma aceitação extremamente positiva do produto. Atualmente, a empresa tem mais de 100 mil clientes de banda larga popular", diz o executivo. Quanto a replicar o modelo do serviço em outras praças, dependerá da ação dos respectivos governos, isto é, de ofertarem estímulos fiscais. "A popularização de uma banda larga de qualidade no Brasil é essencial e trabalhamos dia e noite com este objetivo."

Já o backbone da Embratel é nacional. Para chegar onde a operadora de cabo não chega, em janeiro de 2009 a provedora aportou ao mercado com o serviço de TV por satélite (DTH, Direct to Home), o Via Embratel. A empresa está de olho num mercado consumidor de mais de 20 milhões de domicílios, que poderá atingir graças à sua rede de satélites próprios Star One série C2, com transmissão em alta definição.

Os números do primeiro trimestre mostram que a iniciativa de entrar no segmento de TV paga deu certo. O destaque do desempenho positivo ficou por conta do crescimento do serviço de DTH, que encerrou o período com 221 mil unidades de geração de valor vendidas e 444 mil clientes instalados. A receita com TV por assinatura via satélite foi de R$ 79 milhões no trimestre, 65% superior à do quarto trimestre de 2009.

Antes ainda de a operadora chegar com o seu Via Embratel, a Telefônica bateu às portas do segmento de TV paga. Em setembro de 2006, o primeiro passo foi o acordo com a DTHi, empresa de TV via satélite, para oferecer o serviço na sua área de operação, o Estado de São Paulo. O passo seguinte foi adquirir a TVA do Grupo Abril. No início de 2009, Telefônica e TVA lançaram o TVA Xtreme, pacote que inclui TV por assinatura utilizando a rede de fibra óptica da operadora de telefonia na cidade de São Paulo, porque a licença de TV a cabo da TVA está restrita à capital. (A.V.)




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