Clipping

20/09/2010

A Star One sabe como ocupar o espaço

A geografia e a inclusão de consumidores, empresas e cidadãos no acesso a serviços de telecomunicações fazem com que qualquer projeto de abrangência nacional tenha que contar com circuitos via satélite. Em 2009, contudo, a expansão da TV em alta definição e os investimentos das operadoras de telefonia móvel para estender suas infraestruturas de entroncamentos tiveram peso importante nos resultados da Star One, provedora de conexões espaciais. "As operadoras se interiorizam. Junto ao aumento de capilaridade, a oferta de banda larga requer mais desempenho da rede, o que fez com que demandassem mais capacidade", observa Gustavo Silbert, presidente da companhia.

Segundo seu relatório corporativo, a Star One encerrou 2009 com uma receita liquida de R$ 438,4 milhões, um crescimento de 19% em relação a 2008. Em Mares, pelos critérios do Anuário Telecom, a receita liquida da empresa cresceu 7%, para US$ 217 milhões. O relatório atribui esse incremento a venda das novas capacidades existentes nos novos satélites da empresa.

A Star One foi constituída em 2000, para dar continuidade às operações de satélite da Embratel, iniciadas em meados da década de 80. A empresa tem como acionistas a Embratel, com 80% do capital, e a GE Satellite Holdings LLC. A partir do Teleporto de Guaratiba (RI), a Star One opera o maior sistema de satélites da America Latina, com sete unidades em Orbita, Brasilsat B1, B2, B3 e B4; Star One Cl, C2 e C12. Silbert explica que seis satélites foram construídos e lançados pela empresa, entre 1994 e 2008, enquanto o C12 é um satélite compartilhado - 12 transponders são contratados da New Sky.

Os satélites da sane B, lançados entre 1994 e 2000, ainda atendem a maioria das emissoras de TV e outros clientes. Nos últimos anos, a Star One iniciou a operação da terceira geração de satélites de comunicação brasileiros com os lançamentos do Star One Cl, em novembro de 2007, e do Star One C2, em abril de 2008. Esses novos satélites substituem o Brasilsat B1 e B2, que se encontram ativos em Orbita inclinada, ampliam a capacidade de recepção e transmissão e a abrangência das operações, e integram a estratégia de renovação da frota e de oferta de novos serviços.

Em dezembro de 2009, a Star One assinou contrato com a norte-americana Orbital Sciences Corporation para construção e entrega em orbita do satélite Star One C3. O investimento do projeto esta estimado em US$ 270 milhões. O lançamento do satélite será feito em 2012.

 “Em nosso corpo técnico temos astrônomos (para os cálculos de mecânica celeste). Mas às vezes o nosso negocio parece trabalho de astrólogo", brinca Silbert. Na pratica, ativar um satélite depende de uma ampla colaboração entre vários especialistas e um dimensionamento muito preciso. O investimento e alto; o ciclo de desenvolvimento, produção e entrega e complexo; e o ativo tem 15 anos de vida útil, quando deve atender a evolução do mercado e apresentar retomo.

0 Star 11 One C3 terá 28 transponders em Banda C e 16 em Banda Ku (para transmissão de sinais de vídeo, dados, Internet e voz diretamente ao usuário). A cobertura abrange toda a America do Sul, incluindo o mar territorial brasileiro ate a região do pré-sal. Assim, as embarcações marítimas e as plataformas de petróleo ganham mais capacidade de comunicação.

Em 2009, com a tecnologia da sua nova geração de satélites, a Star One intensificou seu processo de internacionalização. A companhia mantém equipes de vendas no México e na Argentina, que passam a oferecer serviços em toda a America Latina.

Alem de interligar centrais telefônicas, ERBs e repetidoras de TV, o sinal de satélite, em muitos casos, chega diretamente ao terminal do usuário, como os 1,6 mil telefones públicos da Embratel instalados em locais de difícil acesso, ou as 16 milhões de residências que apontam sua parabólica ao C2.

Embora o satélite funcione como enlace (Ultima miIha), Silbert enfatiza que a Star One atua como provedora de meios. Seus clientes, portanto, são os provedores de serviços - operadoras, radiodifusores, etc. Ele diz que o C2 contribuiu para que a empresa se consolidasse em 2009 como uma das principais provedoras de capacidade de Banda Ku no Brasil, fornecendo para a Embratel a infraestrutura necessária para o lançamento de sua TV por assinatura e para o atendimento ao Gesac (Governo Eletrônico Serviços de Atendimento ao Cidadão).

Lançado em dezembro de 2008, o Via Embratel é um serviço de TV por assinatura com tecnologia DTH (direto a residência) por banda Ku. Conforme dados da Anatel, em junho de 2010, o Via Embratel ficou em terceiro lugar no ranking dos provedores de TV paga, com 655,7 mil assinantes e 8% de participação de mercado.

Silbert lembra que o Star One C2 já oferece a infraestrutura ideal para as transmissões de HDTV via satélite. Assim, todas as regiões do Brasil têm acesso simultâneo ao conteúdo em alta definição, tanto das emissoras abertas quanto dos pacotes de TV papa.

Sem revelar o nome do cliente, a documentação de pré-venda da Star One cita uma operadora de telefonia celular, que tinha necessidade de expansão imediata de sua rede em 15 localidades da região Norte, onde não ha infraestrutura para conexão dos pontos de acesso. O Plano de Universalização imposto as operadoras que adquiriram a licença de exploração do 3G determinava prazos de atendimento muito apertados, o que se viabilizou com a contratação de entroncamentos via satélite.

Alem da Embratel, das demais operadoras de telefonia e de TV, a Star One tem entre seus canais de comercialização integradores de redes corporativas e provedores de serviços de valor agregado. A Prime Net, por exemplo, é uma empresa de serviços de Internet e redes IP, que usa os circuitos via satélite para atingir LAN houses, filiais, estabelecimentos, escolas, órgãos de governo e outros ISPs, em regiões mais isoladas do país.

A Star One foi a primeira empresa no mundo a receber o certificado ISO 9001:2000 para o Serviço Controle de Satélites. A principal mudança em relação ao antigo certificado diz respeito a analise da conformidade a norma ISO em praticamente todas as áreas da companhia.

Atualmente, a Star One emprega cerca de 200 profissionais. A maioria e de engenheiros de telecomunicações. Mas Silbert destaca que a operação envolve varias disciplinas, como engenharia de materiais, mecânica celeste e astronomia: "Contratamos especialistas muito qualificados e ainda temos que investir muito em estudo e treinamento".




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